INTRODUÇÃO
O esôfago é um órgão com formato de tubo que tem como função levar o alimento da boca até o estômago, inclusive evitando que esse alimento volte do estômago para a boca. Ele é constituído por duas camadas musculares, que servem para empurrar o alimento para baixo. Além disso, ele é divido essencialmente em três partes: segmento cervical, segmento torácico e segmento abdominal.
TIPOS DE TUMORES (NEOPLASIAS)
Existem dois tipos de tumores que mais frequentemente acometem o esôfago: o adenocarcinoma e o carcinoma espinocelular. Cada um desses tipos tem suas particularidades. O adenocarcinoma costuma aparecer no local chamado de transição esôfago-gástrica (local onde o esôfago junta com o estômago) e apresenta como principais fatores de risco a obesidade e a doença do refluxo gastroesofágico grave. Já o carcinoma espinocelular aparece mais comumente no segmento torácico do esôfago, isto é, na parte do esôfago que passa dentro do tórax e apresenta como principais fatores de risco o tabagismo e o etilismo (alcoolismo).
SINTOMAS
Em relação aos sintomas dos tumores esofágicos, podemos citar: disfagia (sensação do alimento travar para descer), vômitos, salivação excessiva, dor no peito em queimação (no meio do peito), vômitos de sangue (hematêmese) e perda de peso. Qualquer paciente que apresente esses sintomas necessita da realização de exames complementares, a fim de investigar a causa dos sintomas e definir o diagnóstico.
DIAGNÓSTICO
O primeiro exame a ser feito é a Endoscopia Digestiva Alta. Nesse exame poderá ser avaliada toda a parte interna do esôfago (sua mucosa) e poderão ser realizadas biópsias, caso seja necessário, a fim de obter material para o diagnóstico definitivo. É a partir dessa biópsia que se define que há um tumor de esôfago e qual seu tipo: adenocarcinoma ou carcinoma espinocelular. Além da Endoscopia, caso se confirme esse diagnóstico, é necessária a realização de outros exames, a fim de saber exatamente onde o tumor se encontra.
ESTADIAMENTO (ESTÁGIO DO CÂNCER)
O tumor pode estar restrito ao esôfago, pode ter espalhado ao redor do esôfago, seja por continuidade com estruturas que estão em volta do esôfago ou para os linfonodos que drenam o esôfago, além do fato de o tumor já ter se espalhado para outros órgãos, como o fígado ou pulmão. A essa classificação, que define a extensão do acometimento, damos o nome de estadiamento. Os exames usados para o estadiamento são: tomografia computadorizada de tórax e abdome, ecoendoscopia, PET-CT, entre outros. Há outros exames que podem ser solicitados, a depender da localização do tumor e dos achados nesses exames iniciais.
TRATAMENTO
Por fim, após definir qual o estadiamento deste tumor, o tratamento é proposto. As opções de tratamento são: ressecção endoscópica da lesão (retirada da lesão por Endoscopia), cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A indicação de qual modalidade de tratamento será realizada é baseada no estadiamento do tumor, isto é, se ele é restrito ao órgão ou se já apresenta alguma invasão ou se apresenta metástases. O tratamento endoscópico é restrito aos casos de lesões bem iniciais e superficiais do esôfago, enquanto que para os casos mais avançados geralmente é realizado um tratamento com quimioterapia e radioterapia inicialmente (para reduzir a lesão) e na sequência a cirurgia com retirada de todo o tumor. A extensão da cirurgia dependerá da localização do tumor e consiste na retirada do tumor junto com o esôfago vizinho e os linfonodos (locais onde são drenadas as células do tumor). Como o esôfago é retirado, sua função precisa ser substituída por outro órgão, para que o paciente continue a se alimentar por boca após a cirurgia, sendo assim, usamos no local dele o próprio estômago (construímos um tubo com o estômago) ou o intestino. O câncer de esôfago apesar de ser uma doença bem grave, quando é detectado no início e o paciente é submetido a um tratamento adequado, apresenta resultados animadores.
Texto escrito pelo Dr. Jefferson Kalil