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BENEFÍCIOS DA CIRURGIA BARIÁTRICA

 

INTRODUÇÃO

A Cirurgia Bariátrica, também conhecida como Cirurgia da Obesidade, tem como princípio fundamental tratar a Obesidade e as doenças relacionadas a ela. Hoje trata-se de um tratamento médico bem difundido, com bons resultados e com baixa taxa de complicações.

 

TÉCNICAS X PERDA DE PESO

Entre as técnicas mais usadas no mundo e com reconhecimento científico consolidado estão o Bypass e o Sleeve. Em relação à técnica de Bypass a expectativa de perda de peso é de aproximadamente 70% do excesso de peso, acima do peso ideal, em 2 anos após a cirurgia. Além disso, a manutenção da perda de peso em 5 anos após o Bypass está em torno de 60 a 70% do excesso de peso. Em relação ao Sleeve, a expectativa de perda do excesso de peso em 3 anos é 63%, enquanto que a manutenção da perda de peso em 5 anos é torno de 60% do excesso de peso.

 

COMORBIDADES

Sobre as comorbidades relacionada à Obesidade, destacamos, principalmente: Diabetes mellitus, Dislipidemia (colesterol alto), Apnéia do sono, Doença do refluxo gastroesofágico, Hipertensão arterial, Esteatose hepática (gordura no fígado) e Doenças osteoarticulares.

 

BARIÁTRICA X DIABETES

Em relação ao Diabetes mellitus, a técnica de Bypass conseguiu obter taxas de remissão (cura) em 75% dos pacientes em 2 anos e com manutenção dessa taxa de remissão em 12 anos em torno de 50% dos pacientes. Em relação ao Sleeve, a taxa de remissão (cura) do Diabetes mellitus é de 66% em 1 ano após a cirurgia.

 

BARIÁTRICA X HIPERTENSÃO ARTERIAL

Sabe-se hoje que existe uma relação bem estabelecida entre Obesidade e Hipertensão Arterial. As taxas de remissão (cura) da Hipertensão após a Cirurgia Bariátrica, na técnica Bypass, chegam a 50% em 1 ano, 35% após 3 anos e 30% após 6 anos. Para o Sleeve essa taxa é menor, porém ainda significativa.

 

BARIÁTRICA X DISLIPIDEMIA (COLESTEROL ALTO)

Entre as formas de Dislipidemia temos: hipertrigliceridemia (aumento dos triglicérides), redução do nível de HDL (colesterol bom) e aumento do nível do LDL (colesterol ruim). Sabe-se hoje que a Dislipidemia é um conhecido fator de risco para Doença Cardiovascular (Infarto do Miocárdio, Aneurisma de Aorta, Insuficiência Cardíaca, AVC (Acidente Vascular Cerebral), Obstruções arteriais (causa de amputação de membros) etc). A Cirurgia Bariátrica no que diz respeito à Dislipidemia foi capaz de melhorar esses índices, especialmente quando usada a técnica de Bypass.

 

BARIÁTRICA X DOENÇAS DO CORAÇÃO

Por fim, no que concerne ao risco Cardiovascular propriamente dito, o Bypass reduziu em 56% a presença de Doença Coronariana (principal causa de Infarto do Miocárdio) quando comparado a um grupo de pacientes obesos não submetidos à Cirurgia Bariátrica.

 

BARIÁTRICA X CÂNCER

Outro benefício da Cirurgia Bariátrica que podemos destacar é em relação ao câncer. Diversos tipos de câncer têm como fator de risco a Obesidade, tais como: câncer de mama, endométrio (útero), intestino grosso (cólon), rim e pâncreas. Conforme esperado, a Cirurgia Bariátrica (todas as técnicas) apresenta redução do risco para esses tipos de cânceres.

 

BARIÁTRICA X APNÉIA DO SONO

Um dos benefícios bem estabelecidos com a perda de peso é a melhora e até mesmo cura da Apnéia do Sono. Essa doença é responsável por uma piora substancial na qualidade de vida e trata-se de um fator de risco para as Doenças Cardiovasculares. Os pacientes que apresentam Apnéia do Sono necessitam usar um aparelho conhecido como CPAP, o qual permite um melhor controle da doença, no entanto sem mudar a sua evolução natural. Em contrapartida, a perda de peso muda a evolução da doença, fazendo com que os pacientes não necessitem mais usar esse aparelho.

 

BARIÁTRICA X DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO

Outra doença muito comum, agora relacionada ao trato digestivo, é a Doença do Refluxo Gastroesofágico. Essa doença consiste no retorno do conteúdo do estômago para o esôfago, ocasionando sintomas importantes e servindo como fator de risco para o câncer de esôfago. Vale citar que um dos principais fatores de risco para a Doença do Refluxo Gastroesofágico é a Obesidade. Com a técnica de Bypass 70% dos pacientes atingiram melhora ou cura do Refluxo após 1 ano de cirurgia, com consequente melhora da esofagite de refluxo e dos sintomas extra-esofágicos (tosse, pigarro, erosão dentária, asma etc). Por outro lado, a técnica de Sleeve é uma contraindicação para os pacientes que apresentam a Doença do Refluxo Gastroesofágico, pois essa cirurgia (Sleeve) pode piorar os sintomas em quem já tem e até mesmo fazer surgir sintomas de Refluxo em pacientes que não tinham antes (8% dos casos). Por fim, vale ressaltar que atualmente existe bastante controvérsia sobre esse assunto, pois os dados dos trabalhos mostram resultados opostos. Sendo assim, na nossa prática atual preferimos indicar a técnica de Bypass nos pacientes que apresentam Doença do Refluxo previamente.

 

BARIÁTRICA X DOENÇAS ORTOPÉDICAS (ARTICULARES)

Em relação aos problemas articulares, podemos citar as doenças relacionadas à coluna vertebral, quadril, joelhos e pés. A Obesidade traz um impacto negativo nessas articulações por dois motivos: o esforço físico ocasionado pela carga exercida nessas articulações (peso em si) e o estado inflamatório em todo o corpo que a Obesidade ocasiona, agravando mais as dores e o processo degenerativo. Com a perda de peso, observa-se uma melhora da dor em 73% dos pacientes, além de redução significativa desses mediadores inflamatórios.

 

BARIÁTRICA X FERTILIDADE

Outro ponto a considerar é o impacto na fertilidade. Sabe-se que a Síndrome dos Ovários Policísticos está presente em até 70% das mulheres obesas, o que está diretamente relacionado à infertilidade na mulher. Estudos que avaliaram o impacto da Cirurgia Bariátrica nesses problemas mostraram que os ciclos menstruais voltaram ao normal 4 meses após a cirurgia e uma melhora na fertilidade em 2 anos.

 

BARIÁTRICA X INCONTINÊNCIA URINÁRIA

Já em relação à Incontinência Urinária de Esforço, sabe-se que a Obesidade é um fator de risco importante, devido especialmente a dois fatores: aumento da pressão intra-abdominal e fraqueza da musculatura do assoalho pélvico. Estudos têm mostrado que a perda de peso é capaz de reduzir essa taxa de Incontinência pela metade.

 

BARIÁTRICA X ESTEATOSE HEPÁTICA (GORDURA NO FÍGADO)

Por fim, em relação à Esteatose Hepática, sabe-se que no futuro a Esteatose será a principal causa de Cirrose Hepática. A Obesidade é fortemente associada à Esteatose Hepática. Inicialmente o tratamento para a Esteatose é perda de peso através de mudança no estilo de vida. Quando essa meta não é atingida, a Cirurgia Bariátrica passa a ser a melhor opção de tratamento. No entanto, apesar da Cirurgia Bariátrica ser uma excelente opção de cura para a Esteatose é necessária uma avaliação antes da Cirurgia a fim de determinar em qual estágio encontra-se a doença e se a perda de peso não agravará mais a doença hepática.

 

CONCLUSÃO

Sendo assim, sabe-se hoje que a Cirurgia Bariátrica apresenta inúmeros benefícios para a saúde, porém vale ressaltar que a Cirurgia é apenas um passo no tratamento da Obesidade. O tratamento da Obesidade consiste em uma mudança de vida, com melhora dos hábitos, envolvendo a alimentação e a prática de atividade física.

 

Texto escrito pelo Dr. Jefferson Kalil