INTRODUÇÃO
Dispepsia, também conhecida como má digestão, é uma condição patológica muito frequente na nossa população, que acomete jovens, idosos, homens e mulheres. Está relacionada ao nosso estilo de vida e alimentação.
SINTOMAS
Os sintomas mais comuns são: epigastralgia, empachamento pós prandial, saciedade precoce e náusea. Epigastralgia é a dor ou desconforto na região do abdome chamada epigastro (conhecido como local do estômago), que pode ser em queimação (mais comum) ou das mais variadas formas: pontadas, cólica, sensação de peso etc. O empachamento pós prandial é a sensação de que a comida está parada, sensação de estufamento, que surge após as refeições. Já a saciedade precoce é sensação de que comeu muito, de que não consegue comer mais, tendo comido pouco, muito menos do que o habitual. E por fim a náusea, que pode ou não estar presente.
CAUSAS
A primeira coisa a ser definida na Dispepsia é se ela é orgânica ou funcional. O que é isso? Dispepsia orgânica é quando existe alguma doença por trás que explica ela. Por exemplo, cálculo na vesícula biliar, úlcera no estômago ou duodeno, infecção pela bactéria H. pylori etc, podem dar sintomas de Dispepsia. Sendo assim, nesses pacientes que apresentam uma causa específica, o tratamento é voltado para essa causa, resolvendo, por consequência, a Dispepsia. Já no outro caso, a Dispepsia Funcional, não existe especificamente uma doença que justifique os sintomas. Alguns pacientes podem apresentar uma gastrite, porém muitas vezes isso não justifica a Dispepsia. Nesse caso particular da Dispepsia Funcional, falamos que essa é uma doença crônica, isto é, que não apresenta uma cura.
TRATAMENTO
Desta forma, o tratamento envolve mudança dos hábitos alimentares, medicações específicas e psicoterapia. Os dois principais gatilhos para os sintomas na Dispepsia Funcional são a alimentação e o estado emocional. É muito comum as pessoas confundirem Dispepsia com Gastrite. Dispepsia é um conjunto de sintomas, que pode caracterizar uma doença também, a Dispepsia Funcional. Já a Gastrite, é um diagnóstico dado pelo exame de Endoscopia Digestiva Alta. Ela apresenta vários graus e associação com outras doenças. Porém, vale ressaltar, que a presença de gastrite na endoscopia não necessariamente se correlaciona com os sintomas apresentados pelo paciente. Muitas pessoas, que nunca tiveram nenhum sintoma de dispepsia, podem ter uma gastrite na endoscopia. Sendo assim, falamos que a gastrite por si só não se correlaciona com doença. Muitos pacientes com Dispepsia Funcional têm uma gastrite associada, entretanto a doença do paciente não é a gastrite, mas sim a Dispepsia Funcional. Sobre o tratamento, dividimos os pacientes com Dispepsia Orgânica da Funcional. Na orgânica, tratamos a causa específica da doença: retirada da vesícula biliar (colecistectomia), tratamento da úlcera, antibiótico para erradicação do H. pylori etc, enquanto que na funcional, o tratamento é baseado na mudança de hábitos alimentares associado ao controle do estresse e distúrbios psicológicos. Abaixo, citamos as mudanças de hábitos necessárias para o tratamento da Dispepsia.
ORIENTAÇÕES PARA DISPEPSIA:
Evitar alimentos gordurosos / frituras;
Evitar bebidas gaseificadas: água com gás e refrigerantes;
Evitar condimentos fortes: pimenta, gengibre, molho de tomate, cebola etc;
Evitar bebidas alcoólicas;
Parar de fumar.
Texto escrito pelo Dr. Jefferson Kalil