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DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO

 

INTRODUÇÃO

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma doença muito comum, que acomete crianças desde o nascimento até as pessoas idosas. O que acontece de uma forma simples é que o conteúdo (alimento) que estava no estômago retorna para o esôfago. Quando comemos, o alimento passa pela boca, faringe, esôfago e estômago. Entre o fim do esôfago e o início do estômago existe uma válvula, chamada esfíncter inferior do esôfago, que não deixa que o alimento que passou para o estômago volte para o esôfago. Entretanto, quando o alimento vence essa válvula e consegue retornar para o esôfago, acontece o então chamado refluxo gastroesofágico. Em condições normais, todos os dias, apresentamos episódios curtos de refluxo, que em geral são assintomáticos, que não caracterizam uma doença em si. Porém, quando esse refluxo é sintomático, isto é, causa sintomas ou causa lesões na parede do esôfago, então estamos diante de um quadro de doença. Com isso, já definimos o que seria a doença do refluxo: condição que cause sintomas ou lesões no esôfago.

 

SINTOMAS

Os sintomas mais comuns da DRGE são: pirose retroesternal, regurgitação e disfagia. A pirose retroesternal é caracterizada por uma queimação que ocorre no meio do peito, começando no estômago e subindo em direção à boca. Já a regurgitação é a sensação de sentir o alimento voltando para cima, podendo chegar até à boca ou não. Por fim, a disfagia é a sensação de que o alimento desce com dificuldade quando comemos, como se ele estivesse travando para descer. Em contrapartida, a DRGE pode se manifestar por sintomas atípicos também, que são: tosse, asma, rouquidão, dor torácica de origem não cardíaca, pigarro, erosões dentárias, laringite de refluxo e globus faríngeo. Entretanto, todos esses sintomas podem estar presentes em outras doenças, sendo assim, precisam ser melhor estudados quando presentes.

 

COMPLICAÇÕES DA DOENÇA

Além dos sintomas em si, a DRGE pode evoluir com lesões na parede do esôfago. Essas lesões são conhecidas como esofagite. A DRGE pode se manifestar desde uma esofagite não erosiva (forma mais leve de esofagite), até formas mais graves, com esofagites graus C e D (Classificação de Los Angeles). Essa avaliação é realizada através do exame de Endoscopia Digestiva Alta, que permite examinar todo esse revestimento interno do esôfago, conhecido como mucosa. Outra complicação mais grave da DRGE é quando essa agressão é tão importante que as células se transformam em outro tipo de célula (metaplasia), dando origem ao epitélio de Barrett. As células deixam de ter características do esôfago e se transformam em células do tipo intestinal. Isso ocorre devido à agressão ser tão intensa que as células se transformam para poder se adaptar ao ambiente. O risco do Barrett é que pelo fato dessas células serem células alteradas, elas possuem uma chance de se transformarem em células tumorais, dando origem ao Adenocarcinoma (tipo de câncer). Por isso, uma vez diagnosticado Barrett é necessário um acompanhamento mais cuidadoso.

 

TRATAMENTO

O tratamento da DRGE varia desde a simples mudança de hábitos até cirurgia. Pelo fato da DRGE se tratar de um problema mecânico, a mudança dos hábitos é o suficiente para tratar a doença, isto é, adotando hábitos corretos, não haverá mais o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago. Sabemos que na grande maioria dos casos, mesmo com lesões iniciais de esofagite, o melhor tratamento é a mudança de hábitos associada ao uso de medicações.

 

TRATAMENTO CIRÚRGICO

Por fim, o tratamento cirúrgico da DRGE, é a clássica cirurgia de Fundoplicatura com hiatoplastia. Nessa cirurgia, o estômago é utilizado para construir uma válvula ao redor do esôfago, dificultando o refluxo, além da hiatoplastia, que é o ´´aperto do diafragma (correção hérnia hiato). Hoje, os pacientes com indicação cirúrgica são poucos e muito bem selecionados. Sabemos que o tratamento clínico (mudança de hábitos e medicações) são tão efetivos quanto à cirurgia. Sendo assim, reservamos a cirurgia para os casos que apresentam lesões graves no esôfago e que não respondem ao tratamento clínico. Vale ressaltar que a DRGE é uma doença crônica, que depende de mudança de hábitos de vida, mesmo para os pacientes que são submetidos ao tratamento cirúrgico.

Abaixo, estão as orientações de hábitos que fazem parte do tratamento da DRGE. 

 

ORIENTAÇÕES – DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO

 Evitar: café, chocolate, chá verde, chá preto, demais chás estimulantes, erva-mate, condimentos, pimenta, cebola e molho de tomate;

 Comer preferencialmente proteínas;

 Evitar alimentos gordurosos (frituras);

 Evitar bebidas gaseificadas: água com gás e refrigerantes;

 Evitar bebidas alcoólicas;

 Parar de fumar;

 Comer calmamente, mastigando bem os alimentos;

 Comer pequenas porções de 3/3 horas, evitando comer grandes quantidades de uma só vez;

 Comer até sentir saciedade, evitando comer até a sensação de que ficou cheio;

 Evitar líquido junto com a comida, bebendo os líquidos 30 minutos antes ou 30 minutos após a refeição;

 Evitar comer grandes quantidades antes de deitar e deitar somente após 3 horas da última refeição;

 Perder peso.